Graças e Méritos - by Dulce Magalhães

Graças e Méritos - by Dulce Magalhães
Imagem: hallice.com
De que é feita a vida? Qual é o componente que faz com que estejamos realmente vivos? Não é o corpo, pois há corpo sem vida. Não é a mente, pois há pessoas vivas sem atividade mental. Não são as emoções, pois os autistas estão vivos. Será o sopro da respiração? Isto realmente mantém o corpo vivo, mas pode ser substituído por aparelhos. O que será então?

Serão nossos sonhos que nos permitem viver? Mas, tem tanta gente sem alento, sem sonho nenhum e que caminha vivo pela Terra! A vida é tudo isso junto e mais além. A vida é uma graça divina que não pode ser enquadrada numa definição, sintetizada numa lista de condições. E a vida plena vai ainda mais além. Mais que ter um corpo saudável, mente perfeita, emoções em equilíbrio, sonhos e esperanças. A vida plena vai além do sopro. É uma conexão com o mais elevado, com o mais profundo, uma ligação com a própria fonte da vida.

Há uma fonte viva de onde emanam todas as coisas. Podemos nomeá-la como preferirmos, porém em muitos momentos percebemos a reverberação de suas ondas, a constância de sua presença, a luminosidade de sua condução. As graças que recebemos todos os dias estão ao nosso redor, percebamos ou não. O sol nasce, o planeta gira ao redor de seu eixo, a planta cresce, o oxigênio alimenta-nos, a criança se desenvolve, a vida segue e esta é a Grande Graça.

Uma graça, como o próprio nome diz, é algo que vem gratuitamente, sem que precisemos nos esforçar ou fazer qualquer trabalho para a recebermos. As graças estão disponíveis, presentes da vida que se dá igualmente a todos, independentemente do mérito. Então, para que serve o mérito? Porque se empenhar em ser bom, generoso, altruísta, solidário, compassivo?

Porque, apesar das graças já estarem totalmente disponíveis é preciso ter mérito para reconhecê-las. Mérito é o exercício de expansão da consciêncida de mundo que fazemos para ver e perceber as graças que já nos foram dadas. Quem não desenvolve méritos não consegue enxergar as graças que a vida oferece e só enxerga des-graça.

Graça é estar vivo, ter uma nova chance de realizar-se todos os dias. Mérito é a condição de perceber isso e não desperdiçar essa chance. É tempo de aprender que a vida é uma dádiva e uma responsabilidade. Antigas tradições nos falam que poder e remédio são a mesma coisa. Todos viemos revelar uma medicina para o mundo, sermos plenos, entregarmos à vida nossos dons e aí também encontraremos a fonte de todo o nosso poder. Ter as condições são as graças, compreendê-las e realizá-las dependem dos méritos.

O exercício maior da vida, portanto, não é o sucesso profissional, a realização financeira, constituir uma família feliz ou um patrimônio sólido. O maior exercício que podemos desenvolver é o da própria consciência. Só assim seremos capazes de ver que o sucesso é a capacidade de aprender e seguir em crescimento, que realização é a satisfação com o que se alcança, que uma família feliz depende menos de um molde externo, de uma fórmula e muito mais do afeto, da aceitação e do acolhimento das diferenças e que o verdadeiro patrimônio é imaterial e tem a ver com o volume de experiências e lições realmente compreendidas que forjaram os resultados de vida.

As graças são o cenário em que estamos, seja ele qual for, pois tudo está de acordo com o fluxo mais correto. O mérito são as lentes que desenvolvemos para ver melhor o cenário e reconhecer as oportunidades que este nos oferece.
Apesar das graças já estarem todas disponíveis, a vida de cada um não está definida, nem determinada, pois é no mérito que fazemos a grande diferença da caminhada.

Abrir os olhos da percepção é a grande tarefa. Tudo já está dado e disponível, mas se não somos capazes de enxergar, como poderemos usufruir de tantas graças? O primeiro e mais importante passo já demos, nascemos. Agora é preciso fazer o parto da consciência, dar luz a uma nova forma de ver e viver. Não há cegueira maior do que aquela que nos impingimos pelo bloqueio da percepção.

Há um tempo para tudo na vida, para nascer, para crescer, para escolher, para fazer. É tempo agora de despertar. Abrir os olhos e, verdadeiramente, enxergar-se, perceber o que nos cabe realizar, transformar, refazer, abrir mão, conquistar. É tempo de Ser e só podemos Ser, experimentando a vida e desenvolvendo a própria consciência.


Texto: Dulce Magalhães - Filósofa, Educadora, Pesquisadora, Escritora e Palestrante.





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